Home Portugal Quantos choques aguenta um país – Económico

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Helena Cristina Coelho


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Os portugueses não têm maneira de fugir aos estados de choque. Primeiro, foi o ‘choque fiscal’ de Durão Barroso. Depois veio José Sócrates artilhado com o ‘choque tecnológico’.

E agora chega Pedro Passos Coelho com o alerta do ‘choque de expectativas’. Isto porque, avisou o primeiro-ministro, as novas medidas previstas no Orçamento do Estado para 2014 podem gerar um novo choque, entre aquilo que o país espera ver feito e aquilo que realmente se consegue fazer. Porque a austeridade vai manter-se, os cortes na despesa pública vão continuar, o ajustamento financeiro vai prosseguir.

O recado está entregue. Mas devem os portugueses esperar agora um choque maior do que aquele que já se iniciou há dois anos, quando Passos Coelho avisou o país de que teria de empobrecer antes de crescer? A acreditar nos dados mais recentes, como os que o Banco de Portugal divulgou esta semana, essa expectativa está a cumprir-se. Para mal dos nossos pecados (e dos nossos salários), quase 40% dos trabalhadores sofreram um corte salarial entre 2011 e 2012.

Além disso, as empresas que contrataram durante a crise, cortaram 11% nos vencimentos dos novos colaboradores (ignora-se a percentagem de portugueses em estado de choque desde que começaram a ver os recibos de vencimento com cortes, mas será decerto elevado). E será igualmente alto o número de portugueses chocados com a convicção do FMI que, contra os dados do banco central, os salários em Portugal têm crescido desde 2009 e pouco se tem feito para os baixar.

Com o estado anímico do país tão em baixo e com uma estratégia de austeridade ainda em curso, o difícil não será evitar o choque de expectativas, mas sim elevá-las e cumpri-las. O Governo tem uma meta para cumprir: executar um asfixiante plano de ajustamento, reduzir o colossal endividamento e resgatar a soberania financeira do país.

Esta é a expectativa que Passos Coelho tem de cumprir, mesmo que isso implique adiar a esperança dos portugueses no fim dos sacrifícios, no reinício de um Estado mais eficiente, na viragem de uma economia mais competitiva. Mas não a pode adiar para sempre. Entre gerir expectativas e gerir a realidade, Passos Coelho terá de fazer o mais difícil: uma gestão de confiança. Só assim conseguirá ter os portugueses do seu lado, e não em rota de colisão, para evitar um choque de expectativas. Ou pior: o seu falhanço.



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